Ela sabia que já havia pedido de mais, exigido muito e não ter dado muita coisa em troca, mas naquele momento, ali, era tudo o que ela precisava. Apenas ela e Deus sabiam o quanto aquilo era necessário! Todo o peso do mundo nos seus ombros. Todas as rasteiras possíveis. E todas as costas dadas, porém, ali, naquele sofá, ela sabia que o consolo seria encontrado. Apenas a visualização já fazia com que se sentisse melhor. Resolveu então parar de esperar e fazer logo aquilo, porque ela sabia que, apesar de tudo, de todas as besteiras feitas, aquela pessoa não lhe negaria aquele pedido.
Começou a se aproximar. Seu refúgio estava ali em frente, sentada de forma displicente e relaxada no sofá, um dos braços jogado por cima do encosto, o outro pousado em sua própria coxa, seus olhos vagavam sem rumo pela sala e sua face permanecia calma, ela apenas aproveitava a algazarra que seus amigos faziam junto com a música.
Enquanto se aproximava, uma gota de medo se instalou dentro dela: “E se eu não estiver tão certa assim? E se ela, assim como os outros, também virar a cara?”. Mas assim que os olhos dela pousaram na outra, aquele sorriso tão adorado e tranquilizador se abriu e o medo, então, desapareceu como se nunca tivesse existido.
Palavras não precisaram ser usadas, afinal, ela já conhecia a outra o suficiente para saber que ela necessitava de algo, e ela, como eterna companheira, não lhe negaria seu mudo pedido de carinho. Se ajeito melhor no sofá, mas sem sair daquele estado largado e relaxado, e esperou que a outra sentasse ao seu lado.
O calor daquele corpo sempre lhe fazia bem, o cheiro dela a acalmava.
Ela apenas escorregou seu braço do encosto para pousa-lo no ombro da outra, fez com que ela se aconchegasse melhor em seu corpo e deu mais um de seus sorrisos fascinantes.
Todo o peso em suas costas foram embora, o mundo deixou de existir além daquela sala, os problemas foram soterrados pelo barulho que era produzido ali. Tudo o que ela precisava foi achado naqueles braços protetores e ela percebeu, finalmente, que tudo o que buscava estava ali, relaxadamente jogada no sofá e a abraçando como ninguém jamais faria igual.
- Você sempre esteve aqui me esperando, não esteve?
- Sempre.